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Domingo, dia 26 de

Giovani Felipe

Violência contra as mulheres. Tema da redação ENEM 2015

Posso até negar algumas ideias, mas jamais negarei minha profissão. Aliás, se eu tivesse dez vidas, em dez vidas seria um historiador, um professor de humanas. Sendo um professor não posso deixar em branco um texto sobre a redação do ENEM 2015: Violência contra as mulheres. Bem como, não posso deixar de refletir e mencionar que esta violência é respaldada e fundamentada em princípios religiosos; infelizmente uma prática comum e atual; uma realidade, um problema social. O tema abordado é mais que relevante. Agora porque a violência contra a mulher acontece?

No nono mandamento, presente na Bíblia Cristã e na Torá Judaica tem a seguinte redação: “Não desejar a mulher do próximo”. A essência deste artigo era: não desejarás a mulher e a propriedade do próximo. Isto mesmo. A mulher era uma propriedade nas civilizações antigas. Sem voz e vez era excluída da vida social. Embora a fundamentação religiosa citada seja de antes de Cristo, está presente no texto “sagrado” e isto legitima um discurso de superioridade masculina. Em outro trecho bíblico, agora no novo testamento em Efésios, ou seja, depois de Cristo tem outra redação “As mulheres sejam submissas aos seus maridos, como ao Senhor,”. Estes discursos embasam muitas vezes o ódio, por parte de muitos ignorantes e preconceituosos. Diversos fundamentalistas legitimam sua superioridade embasado em textos que como este, servem para: violentar, perseguir e sufocar as mulheres. Um discurso machista fundamentado na bíblia.

No pensamento contemporâneo algumas denominações cristas ocidentais, afirmam que a bíblia deve ser seguida à risca e que tuno nela é a expressão da verdade. Sendo assim, refletiremos mais um pouco. No livro de Levítico, há duas passagens interessantes.

Em uma têm a seguinte redação: “A mulher é considerada impura após o parto”. Na outra: “Quando uma mulher tiver sua menstruação, ficará impura pelo período de sete dias”. O texto segue afirmando que todo aquele que a tocar e tudo o que ela tocar é considerado impuro. Absurdo? Então, são textos como estes que ao longo da história forjaram e legitimaram muita violência e ódio com o sexo feminino. Além, de desrespeitar a natureza humana e ignorar suas condições e sua própria essência.

De forma indireta temos outras reflexões em torno das escrituras que colocam as mulheres em segundo plano, como por exemplo. O homem que foi criado à semelhança de Deus. A mulher que é a pecadora. A mulher é a prostituta. Frases como esta desencadearam perseguições, caças as “bruxas” e muitas práticas de violência para com as mulheres. Hoje, há os que não desapegaram da ideia, de que a mulher não é sua propriedade e de que não pode ser considerada submissa, e nem tampouco impura.

Com estes pensamentos machistas, autoritários e “cristãos,” presenciamos a persistência da violência contra as mulheres e percebemos como e porque estas violências acontecem fundamentadas em discursos religiosos.

Enquanto tivermos discursos legitimados com tradições arcaicas e antigas, muitas mulheres serão violentadas. Embora, os tempos sejam modernos as tradições são mais fortes. Para amenizar se coloca um dia de homenagens as mães e outro de homenagem as mulheres. O que na verdade se precisa e respeitar e entender que mais forte que um homem, há a inteligência, doçura, simpatia, meiguice e amor de uma mulher.